AMBIENTE URBANO & ISOLAMENTO DO SOLO Ilhas de Calôr, Drenagem, Enchentes, E,…Falta D,água ! ?

MATÉRIA; Oportuna para que os GESTÔRES das cidades brasileiras “SE ACORDEM PARA ESTA REALIDADE”, Hoje Todos as Cidades (Municipio) posuem PLANOS DIRETORES (pois possuem população acima de 20,000 Habitantes, LEI FEDERAL Nº 257/2001) e tendo esta LEI Municipal é uma questão lógica, DEVE SER ALABORADO UM PLANO ESTRATÉGICO SUSTENTÁVEL, DIRETRIZ (Planejamento a Longo Prazo, 50, 60 Anos,…) pois não é Concebível que uma cidade “CRESÇA AO DEUS DARÁ” (com plano ou projetos PONTUAIS) SEM PENSAR NO TODO, um Plano de Expanção Territorial é Fundamental, pois caso contrário TODO CONTEXTO DA CIDADE SOFRERÁ AS CONSEQUÊNCIAS NUM FUTURO PRÓXIMO, e com certeza ficará INSUSTENTÁVEL, e as soluções ficarão  mais caras,…E O AMBIENTE JAMAIS RETORNARÁ AO QUE ERA NO PASSADO.  

Sabiás com fome, bueiros entupidos, caos no trânsito,…excesso de isolamento do sólo & redução das áreas livres vegetadas,…

22022015-sabia-laranjeiraUm sabiá-laranjeira alegre e feliz buscando suas presas em meio às folhas mortas e plantas vivas. Fotos: Fabio Olmos

Quase todo mundo deve ser familiar com o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris). A ave-símbolo do Brasil (escolha rechaçada pela maioria dos ornitólogos) é um habitante comum de praças, parques e jardins de boa parte do Brasil.

Ali ele pode ser visto revirando folhas e detritos vegetais (onde estes existem) em busca de minhocas, insetos e outros animalejos que são parte de sua dieta. Um comportamento que posso assistir nas praças da região central da cidade de São Paulo, onde vivo.

O exército de criaturas escavadoras que, nos diferentes ecossistemas brasileiros, inclui minhocas, paquinhas, formigas, cupins, lagartos, cobras-cegas, ratos, tatus e uma infinidade de outras criaturas não é somente uma fonte de alimento para outros animais: ele é responsável por alguns dos serviços ecossistêmicos mais importantes e menos reconhecidos.

O mais evidente é o aumento da permeabilidade do solo, o que faz com que as águas das chuvas infiltrem e recarreguem lençóis freáticos e aquíferos ao invés de apenas escorrerem pela superfície e serem perdidas pela evaporação. O que, em geral, está associado a alagamentos.

Estes animais ajudam a água a ir onde ela é solução, e não problema.

Charles Darwin foi um autor prolífico que escreveu livros sobre atóis de coral e a polinização das orquídeas. Além, é claro, da evolução por seleção natural e sexual (todos disponíveis aqui). O último de seus 25 livros, publicado em 1881, foi A Formação de Terra Vegetal Através da Ação Das Minhocas (The formation of vegetable mould, through the action of worms).

Neste, o grande homem descreve e demonstra como os humildes vermes anelídeos são uma força geológica e geoquímica poderosa na formação de solos e, usando linguagem contemporânea, no sequestro de matéria orgânica e carbono.

Este é o outro serviço ecossistêmico, não reconhecido e muito menos pago, prestado pelos poderosos bichos do solo. Se você é professor pode gostar de tentar esta atividade, inspirada naquele livro, com seus alunos. Em tempos de mudanças climáticas e perda da qualidade dos solos agrícolas seria bom relembrar descobertas feitas 134 anos atrás. E abrir o foco para valorizar outras criaturas escavadoras que são vilipendiadas.

Por exemplo, pesquisa bem recente mostra que cupins, ao construírem suas galerias e cupinzeiros, criam refúgios que permitem que plantas (e animais) resistam melhor às secas, efetivamente construindo barreiras contra a expansão de desertos sobre ambientes frágeis.

Estes serviços gratuitos são destruídos quando estes animais são eliminados. Em terras agrícolas o uso de maquinário e pesticidas causa o biocídio da fauna subterrânea e resulta na compactação do solo.

Aqui nas praças do Centro de São Paulo quem faz isso são os garis, arquitetos de “áreas verdes” com solo duro, nu e estéril como um tijolo. E onde sabiás passam fome.

Estes heróis da limpeza urbana tentam manter habitável uma cidade onde a maior parte da população não percebeu que seus ancestrais desceram das árvores faz alguns milhões de anos e ainda se comportam como macacos-prego durante o almoço. Meus concidadãos jogam nas ruas e calçadas milhares de toneladas diárias de lixo que, em países menos primitivos, as pessoas colocam em lixeiras.

“Meus concidadãos jogam nas ruas e calçadas milhares de toneladas diárias de lixo que, em países menos primitivos, as pessoas colocam em lixeiras.”

Isso resulta em gastos milionários com a limpeza urbana que poderiam ser bem melhor empregados.

Infelizmente, quando se trata de praças e parques, falta orientação aos garis. O procedimento ordenado a eles é que passem horas raspando o solo com rastelos ou coisa similar removendo as folhas que caem, colocadas em sacos plásticos e despachadas como lixo.

O resultado, como em terras agrícolas maltratadas, é a compactação do solo e a quase extinção da fauna que ali habitaria.

Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas
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Como plantador pirata de árvores nas praças de região, me espanta como mesmo depois de dias seguidos de tempestades que fizeram carros boiar, o solo de praças como o Largo do Paissandú (ilustrado nas fotos) continua seco a apenas dois palmos de profundidade.

A ausência completa de minhocas explica a razão. O resultado é que a água das chuvas e tempestades deixa de ir para onde deveria e corre na superfície, carregando a camada superficial do solo. A isso se chama erosão laminar.

Como a água e a terra que ela carrega devem ir para algum lugar, e a gravidade é quem manda, tanto a água como a terra que poderiam estar nas praças e jardins acabam parando nos bueiros. Que entopem e causam alagamentos.

Isso poderia ser evitado se a prioridade fosse manter a cobertura do solo, e não varrições obsessivas. E se folhas & cia excedentes fossem colocadas em pilhas de compostagem, e não tratadas como lixo.

Na esperança de que a ficha caia nas mentes de quem de direito, e sem talento para desenhar como alguns recomendam, ilustro este artigo com algumas fotos.

É evidente que quando a questão é segurar o solo e absorver água os bichos que vivem no solo são só parte da história. Estou falando de serviços ecossistêmicos e nenhum ecossistema é completo sem plantas.

As folhas e detritos orgânicos produzidos por árvores, arbustos e herbáceas são a base da cadeia trófica dos habitantes do solo, assim como as raízes são parte da estrutura de seu habitat. São as plantas que servem de anteparo contra a energia das gotas de chuva e que retém o solo, impedindo a erosão. É a matéria orgânica no solo que ajuda a reter a água. Acho que não preciso me alongar muito em algo que é bem conhecido.

Infelizmente os “urbanistas” que atuam em São Paulo padecem daquele espírito niermeyeriano do amor ao concreto. Basta ver a relação área concretada (e impermeabilizada) x área verde (e permeável) em lugares como a Praça da Sé e nos recentemente remodelados Largo do Batata e Praça Roosevelt.

É de notar que o desprezo pelo verde também contamina não só quem projeta mas também quem deveria cuidar desses lugares. Isso ficou bem evidente com o plantio de árvores no Largo do Batata feito à revelia de uma Prefeitura que tem falhado miseravelmente em cumprir seu dever e persiste na trilha de transformar a cidade em um espaço com cada vez menos árvores e menos verde.

“É de notar que o desprezo pelo verde também contamina não só quem projeta mas também quem deveria cuidar desses lugares.”

O que, todos sabem mas nada fazem, é a causa da ilha de calor que causa tempestades desastrosas na cidade ao roubar chuvas que deveriam cair nos mananciais.

No Centro de São Paulo, um grupo de arquitetos a serviço da Secretaria de Gestão Urbana e com patrocínio do banco Itaú inventou um programa chamado Centro Aberto visando “requalificar” áreas verdes na região central da cidade.

Como tantas das boas intenções que povoam o inferno, o conceito era bom, mas a implementação foi infeliz.

Clique nas imagens para ampliá-las e ler as legendas
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Um ponto importante dos projetos criados pelos geniais arquitetos foi construir decks de madeira em pontos como o Largo São Francisco e o Largo do Paissandú que se tornariam “pontos de convivência”, etc, etc.

Estes se tornaram imortais como as “praças-deck do Haddad” e viraram até fantasiada durante a última Peruada dos estudantes de direito do Largo São Francisco.

No Largo do Paissandú alguma mente brilhante ignorou que a Organização Mundial de Saúde recomenda que cada habitante tenha 12 m2 de área verde (de verdade) mas o Centro só tem 6,2 m² (e muito é terra compactada). E resolveu colocar o tal deck em cima de um dos canteiros da praça ao invés de usar as áreas pavimentadas ao lado.

Para isso duas árvores adultas (um alfeneiro e um ipê-rosa) foram abatidas a motosserra e foram arrancados uma acerola, uma figueira-branca, dois malvaviscos e alguns metros quadrados de grama e lírios.

A praça perdeu árvores e ganhou um contêiner laranja ao lado de um deck de madeira de lei. Acho que a simetria entre substituir árvores vivas por madeira morta fala muito sobre a mente arquitetônica que por aqui domina.

Crianças tentar andar de skate e mendigos dormem no deck. Ao redor, canteiros nus e compactados enviam terra para dentro dos bueiros a cada chuva. O único ponto positivo são alguns brinquedos utilizados pelas crianças da área, mas que poderiam ter sido usados para aumentar a área verde ao invés de reduzi-la.

Parabéns aos autores da obra.

A tentação da “solução” baseada em obras que ignoram noções básicas de ecologia da paisagem, engenharia ambiental e, ironicamente, de urbanismo é uma constante que vemos não só na gestão do espaço urbano, mas também daquele onde as cidades se inserem.

É interessante ver como as soluções vendidas pelas autoridades para a crise hídrica em São Paulo mencionam muitas obras (para alegria das empreiteiras) e nada sobre a restauração daqueles serviços ecossistêmicos que fazem com que a chuva caia onde e quando deve e que a água que vem com elas seja solução, e não problema.

Fala-se muito em reservatórios, barragens e canos, e nada sobre plantar árvores, trocar cimento e asfalto por verde e de tratar esgotos. Mas isso é assunto para outro artigo.

 

Contribuição; O ECO 25/02/2015, Fábio Olmos.

 

Eduíno de mattos

 

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