MOSCAS VAREJEIRAS Carregam Alta Porcentagem de Bactérias que Causam Doenças em Humanos.

 

Estudo verificou que 30% dos microrganismos encontrados nos insetos podem causar doenças, como peste bubônica, gastrite, úlcera e câncer de estômago (foto: Ana Carolina Martins Junqueira)

Especiais

Moscas varejeiras carregam alta porcentagem de bactérias que causam doenças em humanos

19/08/2014

Por Karina Toledo, de Campinas

Agência FAPESP – Cerca de 30% dos microrganismos encontrados em moscas varejeiras são capazes de causar doenças em seres humanos, revelou um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da PennState University, dos Estados Unidos, e da Nanyang Technological University, de Cingapura.

Entre as bactérias encontradas nos corpos dos insetos estavam a Yersinia pestis, causadora da peste bubônica, a Helicobacter pylori, associada ao surgimento de gastrite, úlcera e câncer de estômago, e diversas espécies que podem provocar gastroenterite, pneumonia e infecções urinárias.

Os dados foram apresentados por Ana Carolina Martins Junqueira, pesquisadora do Singapore Centre on Environmental Life Sciences Engineering (Scelse), de Cingapura, durante o evento “Advanced Topics in Genomics and Cell Biology”, realizado entre os dias 4 e 6 de agosto na Unicamp.

“Todo mundo sabe que moscas são insetos sujos, mas o índice de bactérias patogênicas foi tão alto que ficamos assustados. É o microbioma mais patogênico já descrito. Vamos iniciar agora alguns experimentos para descobrir se elas apenas transportam os microrganismos ou se podem, de fato, transmitir essas doenças para as pessoas ao pousar na comida, por exemplo”, contou Junqueira.

Os cientistas analisaram a microbiota encontrada no corpo de 127 moscas, de 19 espécies que costumam ser atraídas por matéria orgânica em decomposição. Os insetos foram coletados em 12 locais diferentes do Brasil e dos Estados Unidos durante o pós-doutorado de Junqueira – realizado na Unicamp com apoio da FAPESP.

Nos arredores de Campinas, a coleta foi feita em um hospital público, um mercado de comidas, um parque de área urbana e um lixão. Também foram realizadas coletas em uma reserva natural da Floresta Amazônica e em seis estábulos de diferentes espécies de animais criados no campus da PennState University, em University Park, Pennsylvania. Uma linhagem foi mantida em um laboratório do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG/Unicamp) como controle.

Originalmente, contou Junqueira, o objetivo do projeto era sequenciar o genoma mitocondrial de 20 espécies de moscas pertencentes à ordem Diptera, bem como estudar a evolução desses insetos com auxílio de plataformas de sequenciamento de nova geração.

“No início, tive certa dificuldade para sequenciar determinados fragmentos do genoma. Posteriormente, conheci Stephan Schuster, na época professor da PennState University, que se interessou pelo trabalho e decidiu colaborar”, contou Junqueira.

Schuster propôs que a melhor maneira de mapear o genoma mitocondrial seria sequenciar tudo que havia nas moscas coletadas, inclusive a microbiota por elas transportada, e depois filtrar os genomas associados (metagenoma) durante a etapa de análise dos dados. “Primeiro sequenciamos apenas a cabeça, depois o tórax, o abdômen e, por último, patas e asas”, contou a pesquisadora.

Após terminar o pós-doutorado, Junqueira trabalhou com Schuster nos Estados Unidos para fazer a análise do metagenoma. Para isso, foi necessário desenvolver novas técnicas, de modo a otimizar o tratamento e a categorização do imenso volume de dados gerados pelos métodos de sequenciamento de nova geração.

“Por meio de análises estatísticas dos microrganismos encontrados, foi possível separar as moscas de ambiente urbano, as da Amazônia, as de ambiente rural e as de laboratório. Isso mostra que o ambiente tem um peso muito maior na modulação do microbioma do que a espécie em si”, disse Junqueira.

De acordo com a pesquisadora, o número de patógenos encontrados nas moscas de ambientes urbanos foi muito maior que nas demais, provavelmente porque nesse ambiente há maior quantidade disponível de lixo e de matéria orgânica em decomposição.

“O grande problema é que esses insetos comutam facilmente entre um ambiente sujo, como um lixão, e o churrasco das nossas casas. Nas moscas coletadas dentro do hospital, por exemplo, encontramos bactérias responsáveis por dois terços das infecções hospitalares do mundo”, disse Junqueira.

Além das bactérias patogênicas para humanos, acrescentou a pesquisadora, também foram encontradas espécies que podem causar doenças em animais e em plantas.

“Defendemos a hipótese de que esse tipo de inseto pode ser usado como sensor ambiental e ajudar a predizer surtos, principalmente em regiões de fronteira, portos, aeroportos. Poderíamos monitorar a contaminação dos ambientes por meio da análise do microbioma das moscas”, afirmou a pesquisadora.

Aedes

Atualmente no Singapore Centre on Environmental Life Sciences Engineering, Schuster e Junqueira estão usando a mesma abordagem criada no estudo com moscas varejeiras para investigar o microbioma do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

“O objetivo é ver se há diferença entre os microrganismos encontrados em mosquitos infectados pelo vírus da dengue e os não infectados. O estudo ainda está no começo e, por enquanto, só trabalhamos com espécimes de laboratório. Mas já vimos diferenças entre as bactérias existentes nesses dois grupos”, explicou a pesquisadora.

No futuro, os cientistas pretendem investigar a possibilidade de inibir a infecção do mosquito pelo vírus por meio da modulação do microbioma existente em seu corpo.

Paralalelamente, Junqueira também colabora com pesquisadores do Laboratório de Genética e Evolução Animal do CBMEG/Unicamp, liderado pela professora Ana Maria Lima de Azeredo-Espin. O grupo analisa microRNAs de diferentes espécies de moscas varejeiras e pragas da pecuária para tentar entender a regulação de genes envolvidos no hábito alimentar desses insetos, com o apoio da FAPESP.

“O estudo poderá gerar dados a respeito de fatores genéticos das moscas que estão associados à atração por matéria orgânica em decomposição ou tecidos vivos, além de proporcionar dados fundamentais para o estudo da interação hospedeiro-microbioma”, contou Junqueira.

Agência FAPESP 19 de Agosto 2014.

 

Mosca-varejeira

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Como ler uma caixa taxonómicaMosca-varejeira
Dermatobia hominis

Dermatobia hominis

Mosca-varejeira é a designação comum a diversas moscas, de várias famílias (Calliphoridae, Oestridae, Sarcophagidae). São insetos dípteros; seu nome se deve ao fato de seus ovos serem conhecidos pelo termo “vareja”.

Também são conhecidas como biru, mosca-da-carne, mosca-de-bicheira, mosca-vareja, beronha, varejeira, brinjeira, moscas-do-berne ou moscas-berneiras.

Características

Estágio larval

São moscas de grande tamanho, geralmente possuem uma coloração verde azulado metálico, possuem aparelhos bucais atrofiadas, o ovopositor não é visível; depositam os ovos nos tecidos vivos ou mortos de vertebrados ou substâncias orgânicas em decomposição. A larva é parasita obrigatório, mas os adultos são de vida livre.

Parasitas obrigatórios da pele de mamíferos quando na fase larvas, os adultos tem vida livre; causam no hospedeiro uma miíase, infecção parasitária devida à infestação dos tecidos ou cavidades do corpo por larvas de insetos.

Algumas espécies (Dermatobia hominis) depositam por lesão uma única larva esbranquiçada conhecida por berne, produzindo uma miíase nodular cutânea; outras espécies (Cochliomyia hominivorax) depositam vários ovos, ocasionando inúmeras larvas na lesão denominada bicheira.

Causam grande perda econômica; é um dos principais ectoparasitas de gado bovino na região que se estende do México até à Argentina; causam infecções, perda de peso, baixa produção leiteira, morte de bezerros e comprometimento da qualidade do couro.

É também um problema de saúde pública porque, parasita animais domésticos e o homem. As moscas que produzem o berne não depositam seus ovos diretamente no hospedeiro, necessitam que outros insetos os veiculem até a vitima. Já as que produzem bicheira depositam seus ovos diretamente sobre a ferida da vítima.

Wikipédia.

 

Eduíno de Mattos

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