SAÚDE NO BRASIL – RESISTÊNCIA A VINDA DE MÉDICOS ESTRANGEIROS , POR QUE ?

“NO MEIO PROFISSIONAL QUEM TEM CAPACIDADE NÃO TEM MEDO DE CONCORRÊNCIA”

Com a desistência massiva dos médicos brasileiros em relação à participação no programa “Mais Médicos,  do Ministério da Saúde, abre-se a possibilidade de mobilizar médicos estrangeiros para se envolverem com esse programa. Segundo afirmou o médico Evelio Pérez chefe dos profissionais  de Cuba que atuam na Misión Barrio Adentro, na Venezuela, em todos os países onde os médicos cubanos dão assistência ocorrem a mesma resistência das entidades  de representação médica , pois tal fato é típico onde se exerce a medicina de caráter corporativa, a medicina do lucro e que tem uma visão meramente empresarial da atividade. No Brasil de 15.460 vagas abertas pelo citado programa, apenas 938 médicos foram formalmente recrutados. Desses  938 médicos que assinaram o termo de compromisso para participação no programa representam 5,6% dos 16.530 profissionais com registro profissional do Brasil que haviam se cadastrado inicialmente no sistema do Mais Médicos. Fica assim explícito o desinteresse da classe médica brasileira em aderir ao programa, além de mostrar que há sim falta de médicos para assistir regiões pobres do Brasil, algo contrário o que dizem as entidades corporativas medicas. O tema é abordado nos  artigos abaixo transcritos: a) Resistência é constante ao redor do mundo, diz médico cubano; b) Apenas 6% dos inscritos confirmaram participação no programa Mais Médicos . Jacob David Blinder

 

 

Resistência é constante ao redor do mundo, diz médico cubano na Venezuela

“A medicina no sistema capitalista é praticada com um fim de benefícios econômicos e não a serviço do povo”, destacou

 Opera Mundi – 02/08/2013 – 17h15 | Luciana Taddeo | Caracas

O doutor Evelio Pérez atua entre os médicos cubanos na Venezuela desde a criação do programa de saúde Missão Barrio Adentro, destinado à atenção médica em áreas pobres do país e criado pelo falecido presidente Hugo Chávez.

 

[Missões de médicos cubanos atuam em diversos países ao redor do mundo] 

 

Membro da direção da missão em Caracas, Pérez chegou ao país sul-americano após ter atuado durante 27 meses em Belize, após a passagem de um furacão. Durante o período no país, contou ter conhecido pacientes que nunca tinham visto um médico.

Em entrevista a Opera Mundi, feita durante o 7º Encontro Continental de Solidariedade com Cuba, realizado em Caracas na última semana, Pérez, que atua na capital venezuelana desde 2003, com a coordenação de assistência de saúde em 38 postos de saúde, conta que a resistência aos médicos cubanos, principalmente por parte de colégios médicos, é uma constante em diversos países. Segundo ele, no entanto, a receptividade aos profissionais desta nacionalidade ?é fantástica?.

Opera Mundi: O vice-presidente venezuelano, Jorge Arreaza, afirmou em um discurso recente que houve resistência, principalmente por parte da oposição, à vinda dos médicos cubanos. Vocês ainda sentem essa resistência?
Evelio Pérez: Sempre vai haver resistência, e não somente na Venezuela. Em qualquer parte do mundo em que os médicos cubanos estivemos, sempre houve uma resistência da oposição, mas sobretudo dos colégios médicos capitalistas que se opõem aos médicos que querem oferecer atendimento gratuito, como estamos fazendo. Em 2003, viemos graças à vontade da população, que nos recebeu, nos apoiou em suas casas para que oferecêssemos esse serviço de saúde gratuita. A medicina no sistema capitalista é praticada com um fim de benefícios econômicos e não a serviço do povo. Acreditamos que esta é a razão principal da resistência. A forma de pensar é diferente, com a visão da medicina com um fim mercantilista, sempre vamos ter a resistência de médicos que acreditam que vamos tirar o trabalho deles. E não é assim, nosso trabalho é para as comunidades.

OM: Antes dos episódios de violência pós-eleitoral registrados em abril, houve mais registros de agressão a médicos cubanos aqui na Venezuela?
EP: Não, nesta campanha foi quando mais se recrudesceram os atos, as agressões físicas aos CDI (Centro de Diagnóstico Integral). Mas nós, cubanos, nos mantemos firmes, trabalhando para este povo. A receptividade nas comunidades é uma coisa impressionante. Começamos em 2003 com 50 médicos, e neste momento não podíamos medir que o povo nos receberia desta maneira com que nos recebeu. Temos a experiência de atendimento na África e da atuação em diversos países por muitos anos, mas não conhecíamos a realidade da Venezuela, e a receptividade do povo foi fantástica.

OM: Como é a adaptação de vocês para os tratamentos específicos de cada país, com as diferentes epidemiologias?
EP: A medicina é a mesma em qualquer lugar do mundo, e as doenças as mesmas. Em Cuba, temos um instituto de medicina tropical que nos permite estar preparados para ir a qualquer parte do mundo e tratar as doenças tropicais que em Cuba erradicamos há muitos anos, mas que em qualquer parte do mundo as enfrentamos sem nenhum tipo de problemas.

 

OM: Um dos argumentos contra a ida de médicos cubanos ao Brasil é que não existe falta de médicos, mas sim de infraestrutura e que o gasto do governo com a contratação de médicos estrangeiros poderia ser investido em áreas deficientes. Como avalia esta posição?
EP: Isso também é algo que se vê em todos os países. Sempre dizem que eles dispõem dos médicos para suprir a necessidade da população. Mas a realidade é outra. Porque na maioria dos países que recebeu a missão médica cubana, a população das comunidades via um médico pela primeira vez. O serviço de saúde nunca tinha sido acessível para este grupo da população. Vivemos isso aqui em Caracas, e em Belize, na América Central, onde os médicos cubanos foram os primeiros médicos a chegar nestes lugares onde vivia gente mais necessitada, mais pobre. E isso é o que se vivia, as pessoas não sabiam o que era um médico na comunidade. Hoje isso continua sendo um dos elementos mais importantes sobre o qual temos que trabalhar, que em todas as comunidades as pessoas saibam quais são os serviços de saúde que oferecemos.

OM: Em Cuba, os médicos estão entre os profissionais mais valorizados. O senhor acredita que em outros lugares do mundo falta essa formação orientada ao atendimento em comunidades onde muitas vezes os profissionais não querem atuar?
EP: Um dos nossos trabalhos aqui é entrar nas comunidades. Na Venezuela, nós sempre dizemos que viemos para três coisas. Uma delas é a da formação dos recursos humanos em matéria de saúde para que estes médicos possam um dia assumir o atendimento nas comunidades.. A experiência obtida com a Escola Latino-americana de Medicina em Cuba permitiu que muitos fossem se integrando às comunidades. A quantidade de médicos venezuelanos que vão se inserindo nas comunidades é cada ano superior. Acho que essa é uma das tarefas que nós temos, não só na Venezuela, mas em qualquer parte do mundo: formar médicos para que se integrem às comunidades, para que todos possam ter acesso à saúde. 

 

 

Apenas 6% dos inscritos confirmaram participação no programa Mais Médicos

 

 

Na primeira chamada, 938 médicos brasileiros vão atender em 404 municípios; o número de profissionais corresponde a 6% da demanda. No total, são 15.460 vagas na rede pública de atenção básica

por Cida de Oliveira, da RBA publicado 06/08/2013 18:39, última modificação 06/08/2013 19:51

 

Na primeira chamada, 938 médicos brasileiros vão atender em 404 municípios; o número de profissionais corresponde a 6% da demanda. No total, são 15..460 vagas na rede pública de atenção básica

 

São Paulo /RBA 06/08/2013? O Ministério da Saúde divulgou na tarde de hoje (6) a lista dos 938 médicos brasileiros que confirmaram a participação no programa Mais Médicos. A maior parte deles (51,8%) vai atender nas regiões periféricas dos grandes centros e o restante (48,1%), no interior do país, em regiões de grande vulnerabilidade social.

Apesar de aquém das necessidades, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, avaliou positivamente os resultados. ?Os municípios não conseguiriam, sozinhos, contratar quase mil médicos em 15 dias de seleção. Isso significa que 4 milhões de brasileiros, que estavam desassistidos, passarão a ser atendidos?, afirmou.

Além disso, segundo ele, o processo continua e serão usadas todas as estratégias para atender à demanda de mais de 15 mil vagas apontadas pelos gestores municipais.

A região Nordeste reúne o maior numero de municípios atendidos, com um total de 372 profissionais direcionados a 203 cidades e um distrito sanitário especial indígena (DSEI). Na sequência aparecem o Sudeste, com 216 médicos para 77 municípios; Norte, com 144 profissionais para 49 municípios e 14 DSEI; Sul, com 107 para 53 cidades; e Centro-Oeste, com 99 médicos para 22 municípios e um DSEI.

Dos 404 municípios que vão receber profissionais nessa primeira etapa, 213 estão em regiões com 20% ou mais de sua população em situação de extrema pobreza, 111 em regiões metropolitanas, 56 em um grupo de 100 cidades com mais de 80 mil habitantes de maior vulnerabilidade social e 24 são capitais. Na distribuição dos profissionais, foram atendidos ainda 16 distritos sanitários indígenas.

Os 938 médicos que assinaram o termo de compromisso para participação no programa representam 5,6% dos 16.530 profissionais com registro profissional do Brasil que haviam se cadastrado inicialmente no sistema do Mais Médicos. O Ministério da Saúde dará mais uma oportunidade aos médicos brasileiros que chegaram a selecionar municípios, mas que não homologaram sua participação.

Segundo o Ministério da Saúde, o maior interesse dos profissionais é pelas regiões metropolitanas e cidades próximas ao litoral, e pouco mais da metade dos municípios que aderiram ao programa não tiveram sequer uma inscrição de médicos, mesmo estando em outros programas, como o de melhoria do acesso e qualidade.

Perfil

A maioria (58,42%) dos 938 médicos participantes é do sexo masculino. Do total, 47,2% são jovens profissionais, entre 23 e 30 anos, e 25,48% estão na faixa que vai de 31 a 40 anos. Acima de 41 anos, somam 27,24%, e dessa parcela cerca de 9% têm mais de 61 anos.

Em relação à formação, 49,5% são médicos que concluíram a graduação entre 2011 e 2013. A maioria dos profissionais (74%) se formou nos últimos dez anos.

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS; POR QUE ELES ESTÃO SENDO BARRADOS  DE ENTRAREM NO BRASIL, SE A SITUAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA ESTA ABAIXO DA CRÍTICA ? !  

médicos cubanos-brasil 1 medicina cuba, en la universidad 2 Brasil mais Médicos 3
Eduíno de Mattos
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: